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Panapaná chega à 10ª edição com a exposição “Reencantamento” e homenageia a artista Alice Vinagre

publicado: 28/11/2025 14h24, última modificação: 28/11/2025 14h33
Alice Vinagre, Dois vulcões I, 2018, acrílica sobre tela, 94 x 149 cm. Foto_ Divulgação

 

A Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) abre, nesta sexta-feira (28), às 17h, a exposição coletiva “Reencantamento”, sob curadoria do crítico e pesquisador Lucas Dilacerda, reunindo obras que discutem a água, o tempo e a reconexão com a ancestralidade. A mostra faz parte da 10ª edição do Panapaná, evento dedicado às artes visuais realizado anualmente em João Pessoa (PB).

A mostra reúne obras dos artistas Kal Yoga, Aídyne Martins, Inara Marchi, Felipe Tomaz de Morais e Luiza Ribeiro, selecionados por edital. A edição também conta com a participação especial da artista Alice Vinagre, homenageada desta edição e figura central na história das artes visuais paraibanas.

Antes da abertura, ao longo desta semana, os artistas participam de encontros e discussões conceituais conduzidas por Dilacerda, etapa preparatória que integra o processo criativo do Panapaná e fortalece o diálogo entre produção artística, curadoria e comunidade. O público também pode participar de atividades educativas conduzidas pelo grupo Educativo Arte no Chão, formado por Mariana Lira e Lucas Alves.

 

Reencantar o mundo pela arte - Com obras instalativas e poéticas que atravessam memória, natureza e espiritualidade, a exposição aborda a água como organismo vivo, ancestral e portador de histórias. Inspirado em pensadores como Nego Bispo e Ailton Krenak, o conceito de reencantamento reflete uma reação ao “desencantamento do mundo”, tensionando os efeitos da racionalidade moderna que afastou o mistério e o sagrado da vida.

Na mostra, a água aparece como elemento vital e arquivo de memórias; a cidade, como território de disputas e apagamentos; e a ruína, como dobra do tempo que resiste às políticas de esquecimento. A arte, nesse contexto, surge como dispositivo de retomada, cuidado e imaginação — uma forma de religar corpo, natureza e ancestralidade.

A proposta curatorial destaca ainda a cidade como território em disputa e a ruína como arquivo sensível que resiste ao apagamento. “A arte, nesse contexto, opera como dispositivo de reencantamento: reabre fendas no real, restabelece vínculos com a Terra e reinscreve modos de existir”, afirma Lucas Dilacerda.

Ao reunir ancestralidade, memória e imaginação, “Reencantamento” reafirma a potência do Panapaná como espaço de experimentação, formação artística e reflexão crítica sobre os modos de existir e habitar o mundo.

Sobre o curador Lucas Dilacerda - Curador e crítico de arte, membro da AICA, ABRE, ABCA, ANPAP e de comitês curatoriais nacionais. Premiado pela ABCA pela curadoria da Bienal Internacional do Sertão, já realizou mais de 60 curadorias, 80 cursos e 250 apresentações em instituições como MAM-Bahia, Instituto Goethe, Museu de Arte do Espírito Santo, Parque Lage e SESC-SP. Autor de mais de 70 textos e artigos publicados, é professor de Estética e História da Arte e possui ampla formação acadêmica em Artes e Filosofia, com distinção Summa Cum Laude pela UFC.

 

Serviço

Panapaná 2025 - Exposição Reencantamento
Abertura:
Sexta-feira (28/11), das 17h às 19h
 Local: Mezanino 1 - Espaço Cultural - Rua Abdias Gomes de Almeida, 800, Tambauzinho, João Pessoa - PB
 Período de visitação: 28 de novembro a 29 de dezembro de 2025
 Horário:
 • Terça a sábado: 6h às 22h
 • Domingo e feriados: 8h às 22h

Ficha técnica

Curadoria: Lucas Dilacerda
 Artistas: Aídyne Martins, Felipe Tomaz de Morais, Inara Marchi, Kal Yoga e Luiza Ribeiro
 Artista Homenageada: Alice Vinagre
 Arte-educação: Lucas Alves e Mariana Lira
 Projeto gráfico: Luyse Costa
 Coordenação: Maurise Quaresma e Cris Peres