Orquestra Sinfônica abre temporada 2018 com trompista Radegundis Tavares como solista

Foto Radegundis 3O trompista Radegundis Tavares será o solista do concerto de abertura da temporada 2018 da Orquestra Sinfônica da Paraíba, nesta quinta-feira, 12 de abril, com a execução de obras de Sibelius, Gliére e Mozart, sob a regência do maestro Luiz Carlos Durier. O concerto de abertura da OSPB começa às 20h30, na Sala de Concertos Maestro José Siqueira, na Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), em João Pessoa. Os ingressos custam R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia).

A primeira obra executada será “Canção da Primavera, Op. 16”, do compositor finlandês Jean Sibelius (1865 – 1957). Em seguida, Radegundis Tavares sobe ao palco da Sala de Concertos para acompanhar os músicos da Orquestra Sinfônica na execução do “Concerto para Trompa e Orquestra, Op. 91”, de autoria do russo Reinhold Gliére (1875 – 1956), com os movimentos alegro, andante, moderato – alegro vivace. O solista é filho do trombonista Radegundis Feitosa, músico paraibano que faleceu em um acidente, no Sertão do Estado, em 2010.

Após o intervalo, o público vai conferir a “Sinfonia n. 39 em Mi Bemol Maior, K.543 (adagio –alegro, andante con moto, minueto – alegro presto), obra do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1765 – 1791).

“A primeira obra do concerto, de Jean Sibelius, é Varsang, Op. 16. A tradução é a Canção da Primavera”, explicou o maestro Luiz Carlos Durier. “É uma música de sonoridades grandiosas que exaltam a chegada e toda a expectativa que as pessoas têm no hemisfério norte após o inverno com a chegada da primavera. É uma exaltação à natureza, onde a orquestra trata com sons grandiosos em benefício da música”, completou.

Sobre o Concerto para Trompa e Orquestra, o maestro observou que “nessa obra, Gliére dá destaque às sonoridades e os aspectos técnicos e musicais que possam ser desenvolvidos através da trompa. É um grande presente para os trompistas porque é uma obra que tem como base elementos da música popular folclórica da Rússia, especialmente da parte da Ucrânia”.

“A última obra é a sinfonia número 39 de Mozart. É uma das grandes sinfonias do compositor austríaco porque é a primeira das quatro últimas sinfonias dele que foram classificadas como as suas grandes obras, dentre as grandes que ele fez. É uma sinfonia em quatro movimentos, que se destaca principalmente pela alegria do último movimento, pela seriedade da introdução do primeiro e pela leveza dos movimentos centrais”, finalizou Durier.

Essa é a segunda vez que Radegundis Tavares vai tocar como solista com a Orquestra Sinfônica da Paraíba. “Cheguei a tocar em 2007, também com Durier regendo. Nessa oportunidade, foi o concerto de Strauss que eu toquei. É sempre uma experiência muito boa tocar com uma orquestra como a Orquestra Sinfônica da Paraíba, especialmente obras como a que a gente vai tocar na quinta-feira, que é um concerto do compositor russo Reinhold Gliére”, disse o músico.

“É uma das obras que é considerada por muitos como um grande concerto para trompa, um dos mais difíceis, senão o mais difícil. É uma obra do período romântico e que tem algumas melodias folclóricas da Rússia, mas com abordagem bem romântica, até para um pouco depois do período romântico na história da música de concerto. Particularmente eu acho a obra muito bonita, e ainda mais com trompa solando, que não é algo muito comum com orquestra, apesar de ser um instrumento que tem um repertório bem vasto”, destacou.

“Acredito que vai ser uma experiência bem interessante, não só para mim que vou estar tocando e para a orquestra, mas para o público. Eu acho que é a primeira vez que esse concerto vai ser tocado aqui na Paraíba. E no Brasil, ele foi tocado poucas vezes com orquestra”, ressaltou.

Radegundis explicou que a obra tem muitas partes bem melódicas e algumas mais técnicas, em que o instrumento é bastante explorado. “O concerto tem também uma cedência, o que para trompa especificamente não era muito comum no período romântico. E essa cadência varia de solista para solista. É o momento que o solista tem para exibir suas habilidades. Ele tem um primeiro movimento mais longo e tem momentos mais lentos e mais rápidos. O segundo movimento é lento, mas sempre com uma sonoridade bem densa, e o terceiro é bem animado, bem agitado, com trechos também bem técnicos, mas sempre com melodias intercaladas”.

Solista

Bacharel pela Universidade Federal da Paraíba sob a orientação do professor Cisneiro de Andrade, Radegundis Tavares iniciou seus estudos em trompa aos 11 anos, no curso de extensão do Departamento de Música da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Com 12 anos fez sua estreia como solista se apresentando com a Orquestra Infanto-Juvenil da UFPB. Aos 15 anos, ganhou menção honrosa no sexto prêmio Weril e estreou como solista no Teatro Municipal de São Paulo interpretando as Variações sobre “O Carnaval de Veneza”, de Jean-Baptiste Arban. Desde então, tem se apresentado como solista, camerista e instrumentista de orquestra em importantes centros musicais do Brasil.

Gravou e lançou dois CDs: com o pianista José Henrique Martins o CD intitulado “Universal”, com obras para trompa e piano; e “Radegundis Tavares” com José de Andrade Júnior (piano) e Dennis Bulhões (bateria), contemplando especialmente a música popular brasileira.

Também na UFPB, Radegundis concluiu os cursos de mestrado e doutorado sob a orientação de Luis Ricardo Silva Queiroz – Educação Musical. Se apresentou no 46º, 47º, 48º e 49º Simpósios da Associação Internacional de Trompistas, realizados em Londres, Los Angeles, Ithaca-NY e Natal, respectivamente. Destaca-se também na atuação de Radegundis a criação da Associação de Trompistas do Brasil (ATB), do qual foi presidente fundador (2013-2015). Foi o host do 49º Simpósio Internacional de Trompistas (2017) e durante o evento foi indicado pela diretoria da International Horn Society para se tornar membro do Advisory Council, posição que exerce desde então. Desde abril de 2008 é professor efetivo de trompa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Regente

Paraibano de João Pessoa, Luiz Carlos Durier é o regente titular da Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba (OSJPB) há 20 anos. Seu trabalho direcionado para jovens músicos em formação tem reconhecimento em todo o Brasil. Em setembro de 2013 foi nomeado diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB).

Como regente convidado, conduziu a Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte, Orquestra Sinfônica do Estado de Sergipe, Orquestra Sinfônica da UFRN e Orquestra Criança Cidadã do Recife. Durier também regeu a Orquestra de Cordas da 29ª e 30ª Oficina de Música de Curitiba. No ano de 2012, o maestro recebeu a Comenda de Honra ao Mérito, pelo desempenho profissional frente à OSPB.

Entre suas atividades, conduziu a OSPB na gravação ao vivo do CD da cantora Marinês e sua Gente e do DVD Sivuca e os Músicos Paraibanos. Com a OSPB e a OSJPB, esteve à frente de concertos com artistas populares como Ângela Rô Rô, Arnaldo Antunes, Tico Santa Cruz e Renato Rocha (Detonautas), Flávio José, Genival Lacerda, Alcione, Toninho Ferragutti, Geraldo Azevedo, Dominguinhos e Zélia Duncan.

Por dois anos consecutivos, Luiz Carlos Durier regeu a Orquestra Sinfônica da Paraíba e a Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba em grandes concertos comemorativos ao aniversário da cidade de João Pessoa, com artistas paraibanos, que lotaram o Teatro Pedro do Reino, no Centro de Convenções. No dia 5 de agosto de 2016, a apresentação teve como destaque o cantor e compositor Zé Ramalho, e no ano passado, as atrações foram as cantoras Cátia de França e Nathalia Bellar.

Próximos concertos:

Ainda este mês, nos dias 26 e 27, a Orquestra Sinfônica da Paraíba apresenta concertos nas cidades de Cajazeiras e Sousa. Em maio, são mais duas apresentações: dia 10, na Sala de Concertos Maestro José Siqueira, no Espaço Cultural, e dia 24, na Igreja de Santana, no Funcionários II. Já a Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba (OSJPB) fará concerto no dia 3 de maio, na Sala de Concertos Maestro José Siqueira.

Serviço

1º Concerto Oficial da Temporada 2018 da Orquestra Sinfônica da Paraíba

Regente: Luiz Carlos Durier

Solista: Radegundis Tavares (trompa)

Dia: 12/04/2018 (quinta-feira)

Hora: 20h30

Local: Sala de Concertos Maestro José Siqueira, no Espaço Cultural, João Pessoa

Ingresso: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia)

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