Curso de teatro da Funesc apresenta “Folia no Matagal”

 

Foto: Thercles Silva
Foto: Thercles Silva

A Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), por meio do seu Curso de Teatro, apresenta nesta quinta (23) e sexta (24), o espetáculo “Folia no Matagal”. Sob direção das atrizes Suzy Lopes e Nyka Barros e preparação vocal de Priscilla Cler, entra em cena o ‘Evoé!’ Grupo de Teatro da Funesc. As apresentações serão no Teatro Santa Roza, a partir das 20h. A entrada custa R$ 5 (meia) e R$ 10 (inteira).

 

O espetáculo traz o viés do teatro contemporâneo, fugindo da linearidade Aristotélica, podendo assim, lançar mão de todas as técnicas estudadas ao longo do curso. O dramaturgismo foi feito a partir dos textos “Doce deleite” de Alcione Araújo, “Cartaz de Cinema” de Paulo Vieira, “Os sete gatinhos” de Nelson Rodrigues e um poema/protesto de Mariana Felix.

 

A junção destas camadas dramatúrgicas resultou em um espetáculo cômico, dramático, leve e descontraído, mas que não deixa de mandar seu recado para o atual momento do país. A comédia “Doce Deleite” reúne 11 esquetes do premiado dramaturgo Alcione Araújo, dos quais foram selecionados três quadros, considerado pela produção como a essência máxima do texto de Araújo, que foi escrito em declaração ao amor pelo teatro.

 

“Cartaz de Cinema”, do dramaturgo paraibano Paulo Vieira, é um texto que provocou muita polêmica quando teve sua montagem no Curso de Artes Cênicas nos anos 70, quando o autor ainda era estudante. Dele também foi retirado um trecho que dialogava muito com o que o grupo queria dizer. O mesmo aconteceu com o poema de Mariana Felix, que é uma autora muito consumida pela internet, sempre com apresentações no Slam Resistência, levando sua poesia feminista e em defesa dos oprimidos, que gerou o grupo As Mana das quebrada.

 

A carga dramática do espetáculo vem por meio da encenação de “Os sete gatinhos”, de Nelson Rodrigues, escrita em 1957, que é uma das mais célebres tragédias cariocas do autor, e gira em torno de uma família suburbana comandada por Seu Noronha (Rodrigo Batista) e por sua mulher, Dona Aracy (Talitta Leonilia). Um dos grandes personagens de Nelson – ao mesmo tempo comuns e idiossincráticos -, Noronha se empenha em “proteger a castidade e a pureza” da caçula, Silene (Eslia Maria). Ao mesmo tempo, prostitui suas quatro outras filhas, Aurora (Raissa Gama), Hilda (Israela Ramos), Arlete (Brenna Monteiro) e Débora (Isabele França), como forma de pagar a educação da mais nova num internato, onde trabalha o Dr. Portela (Leandro Nobre) – como se espera de Nelson, um jogo perverso eclode e desnuda falsas aparências. Nelson aborda violentamente as degradações familiares, como o incesto, a violência doméstica e contra a mulher, fazendo da obra algo atual e atemporal.

 

A dramaturgia é assinada pela coordenadora e atriz Suzy Lopes, mas o tempo inteiro, na criação da narrativa, o foco foi traduzir o que o grupo queria dizer. Como eles veem o momento atual. A preocupação maior na construção desta dramaturgia era que o discurso fosse assumido pelo elenco, que não fosse apenas palavras em suas bocas. E, através disso, o elenco liberta seu grito de protesto. Os personagens são seres comuns, que podem ser encontrados em qualquer esquina da cidade, e foram construídos por meio de pesquisa de tipos e sujeitos. O espetáculo é sobretudo, um brinde ao fazer teatral, realizado por amantes da arte dramática.

Ficha técnica: Direção: Suzy Lopes e Nyka Barros | Preparação vocal: Priscilla Cler | Dramaturgismo: Suzy Lopes | Elenco: Brenna Monteiro, Bruna Pontieri, Eslia Maria, Fernanda Peres Maranho, Isabele França, Israela Ramos, Juju Oliveira, Leandro Nobre, Lennon Carvalho, Marinho Mendes, Raissa Gama, Rodrigo Batista, Talitta Leonilia, Thaisa Bravo-valenzuela e Vitória Moura. | Iluminação: Eloy Pessoa | Sonoplastia: Icaro Cesar | Figurino: Evoé! | Confecção de figurinos: Ângela Lopes | Arte: Igor Tadeu | Fotos: Thercles Silva | Make Up: Derlann Kaulitz | Trança de lã: Edna Diniz, Carla Branco | Apoio: Antares Comunicação

 

 

Formação de atores pela Funesc – Há quase 30 anos, a Fundação Espaço Cultural da Paraíba tem formado atores e atrizes através do Curso de Teatro da Funesc. Este curso foi idealizado por Roberto Cartaxo e hoje é coordenado pelas atrizes Suzy Lopes e Nyka Barros, além do ator Humberto Lopes. Ao longo do tempo, foram feitas algumas mudanças para aperfeiçoar o curso. Este ano, houve a participação de vários profissionais trocando experiências com a turma, a exemplo de Carlos Simioni (LUME-SP), Priscilla Cler, Paulo Vieira, Mariana Uchoa, Mirtthya Guimarães, Flávio Lira, Eloy Pessoa e Cleiton Teixeira. Outra ação importante foi a inserção da turma em performances e atuação nos palcos de vários projetos da Funesc, além da participação no Projeto Café em Verso e Prosa.

 

No elenco de Folia no Matagal está: Brenna Monteiro, Bruna Pontieri, Eslia Maria, Fernanda Peres Maranho, Isabele França, Israela Ramos, Juju Oliveira, Leandro Nobre, Lennon Carvalho, Marinho Mendes, Raissa Gama, Rodrigo Batista, Talitta Leonilia, Thaisa Bravo-valenzuela e Vitória Moura.

 

“Que a experiência vivida pelas turmas deste ano possam enriquecer a vivência pessoal de cada um/a, e que a cena teatral paraibana receba esses novos talentos que foram despertados. Vida longa ao Curso e gratidão aos que passaram e aos que fazem hoje o teatro da Funesc. Evoé!”

 

 

Serviço:

Espetáculo: Folia no Matagal – Evoé! Grupo de Teatro da Funesc

Data: 23 e 24 de novembro, às 20h

Local: Theatro Santa Roza

Ingressos: R$10 (inteira) e R$5 (meia)

Realização: Funesc

 

 

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