Projeto ‘De Repente no Espaço’ tem os pernambucanos Afonso Pequeno e João Lidio

Nesta quarta-feira, dia 1, tem mais uma edição do projeto ‘De Repente no Espaço’, na Fundação Espaço Cultural, em João Pessoa. As atrações são os pernambucanos Afonso Pequeno e João Lidio. A noite dos poetas populares tem ainda como declamador oficial o poeta Iponax Vila Nova. As apresentações começam às 19h e ocorrem no mezanino do Teatro Paulo Pontes, no Espaço Cultural. A entrada é gratuita.

O objetivo da ação é dar visibilidade a essa linguagem artística e literária, valorizando os poetas populares do Nordeste. “De Repente no Espaço” é um evento mensal da Funesc que teve início no mês de junho e faz parte do projeto de ocupação do Espaço Cultural. Os encontros acontecem na primeira quarta-feira do mês. A cada nova edição, o público conta com diferentes atrações da Paraíba e de outros Estados da região.

Afonso Pequeno – Poeta, cantador e forrozeiro da cidade de São José do Egito, em Pernambuco, Afonso Pequeno tem uma paixão imensa pela sanfona. Ele é vocalista e sanfoneiro na banda Forró Encantador, que toca pé de serra, destacando composições autorais. É a primeira vez que Pequeno participa de uma edição do ‘De Repente no Espaço’.

Ano passado, ele participou da homenagem aos 120 anos do aniversário de Pinto do Monteiro, formando dupla com Xexéu da Paraíba, na cidade de Monteiro. Também se apresentaram as duplas Renê Cavalcante e José Feitosa, Asa Branca do Ceará e José Jabitacá e os irmãos Paulo e Ginaldo Pereira. A noite também teve apresentação de Carlinhos da Prata e Lito Campos (Lito de Dona Socorro).

João Lidio – O poeta sertaniense João Lídio, cantador de viola, repentista profissional, radicado em Gravatá (PE). Ele é cantador de viola profissional e apesar de ainda jovem , é hoje um dos principais nomes da nova geração de repentistas nordestinos. Cria do Mestre Ivanildo Vilanova, por cujas mãos adentrou para cantoria , João Lídio tem diversos CDs gravados.

Repente – No Brasil, a tradição medieval ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores – poetas populares que vão de região em região, com a viola nas costas, para cantar os seus versos. Eles apareceram nas formas da trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Ao contrário dos outros, o repente se caracteriza pelo improviso – os cantadores fazem os versos “de repente”, em um desafio com outro cantador. Não importa a beleza da voz ou a afinação – o que vale é o ritmo e a agilidade mental que permita encurralar o oponente apenas com a força do discurso.

A métrica do repente varia, bem como a organização dos versos: há a sextilha (estrofes de seis versos, em que o primeiro rima com o terceiro e o quinto, o segundo rima com o quarto e o sexto), a septilha (sete versos, em que o primeiro e o terceiro são livres, o segundo rima com o quarto e o sétimo e o quinto rimam com o sexto) e variações mais complexas como o martelo, o martelo alagoano, o galope beira-mar e tantas outras. Todos se baseiam em métrica, rima e oração poética. O extremo rigor quanto à métrica e a rima perfeita é característico na cantoria dos repentistas violeiros. O instrumental desses improvisos cantados também varia: daí que o gênero pode ser subdividido em embolada (na qual o cantador toca pandeiro ou ganzá), o aboio (apenas com a voz) e a cantoria de viola.

Cordéis musicados – O repente se insere na tradição literária nordestina do cordel, de histórias contadas em caudalosos versos e publicadas em pequenos folhetos, que são vendidos nas feiras por seus próprios autores. Uma tradição que, por sinal, inspirou clássicos da literatura brasileira, como o “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, e “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto. O repente foi para o Sudeste em meados do século XX, junto com a migração de nordestinos para os grandes capitais. Chegou a São Paulo em 1946 com o alagoano Guriatã de Coqueiro (Augusto Pereira da Silva) e, no Rio, instalou-se na Feira de São Cristóvão.

Iponax Vila Nova – Nascido na cidade de Cajazeiras no alto sertão paraibano, filho do pernambucano Ivanildo Vila Nova, o maior dos repentistas da atualidade, Iponax cresceu com a poesia no seu dia-a-dia. A poesia e a viola de Ivanildo estava em todos os lugares da casa, e aos poucos foi despertando no menino o desejo de participar dessa disseminação da cultura popular.

Fez da poesia a régua e compasso no seu projeto de vida. Ainda muito jovem, levou sua arte para os mais distantes grotões do país. Um verdadeiro ativista da cultura matuta, é um grande articulador da arte do repente, considerado um dos grandes nomes da poesia e da declamação dos nossos dias.

Sobre o projeto – O “De Repente no Espaço” é um evento mensal da Funesc lançado em julho de 2015 e faz parte das ações de ocupação do Espaço Cultural. Os encontros acontecem na primeira quarta-feira do mês. A cada nova edição, o público conta com diferentes atrações da Paraíba e de outros Estados da região. Em janeiro e julho de 2016 foram realizados o 1º e 2º “Desafio De Repente”, com várias duplas de repentistas da Paraíba e de outros Estados. O apresentador oficial e declamador é Iponax Vila Nova, coordenador do projeto que além conduzir as cantorias realiza oficina de declamação e versos pelo Estado, dentro do projeto.

Serviço

De Repente no Espaço

Com Afonso Pequeno e João Lidio

Apresentação: Iponax Vila Nova

Data: 1 de novembro (quarta-feira)

Hora: 19h

Local: Mezanino do Teatro Paulo Pontes

Entrada: gratuita

Realização: Funesc/Governo do Estado da Paraíba

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